São Paulo além das fronteiras: uma análise da competitividade da metrópole através de seus fluxos de IED

Nas últimas décadas, tem-se intensificado o debate sobre como o processo da globalização tem imposto uma nova geografia econômica sobre a rede global de cidades, atribuindo-lhes novas formas, fluxos, centralidades e funções. Os fluxos de Investimentos Diretos Estrangeiros (IED) são exemplos de processos espaciais transnacionais que revelam o status de competitividade, centralidade, hierarquia e polarização das cidades na rede de fluxos de capital externo.

A cidade de São Paulo tem sido o ponto focal de atração de IED no Brasil nas últimas décadas. No entanto, em termos de competitividade, Buenos Aires e Santiago saem na frente devido a inúmeros indicadores que as colocam como cidades mais atrativas e competitivas do que São Paulo.

Nesse sentido, qual a relação entre a rede de fluxos de investimentos estrangeiros e a competitividade de uma cidade? Como se apresenta esta rede de “competição” econômica da metrópole paulista vis-à-vis suas concorrentes na América Latina? E, ainda, como pensar as redes urbanas sob a ótica da “coopetição”, de modo a evitar a competição destrutiva entre lugares e impulsionar a complementaridade/cooperação entre cidades?

ImageFluxograma elaborado no software Ucinet apresentando a rede de fluxos de IED entre cidades latino-americanas e suas investidoras, utilizando a base de dados Financial Times/fDi markets.com entre 2003 e 2012.

Esta discussão, resultado parcial da minha dissertação de mestrado, encontra-se na publicação mais recente do Simpósio Nacional de Geografia Urbana 2013: São Paulo além das fronteiras – uma leitura geográfica dos fluxos de investimentos da metrópole na rede de cidades da América Latina, no seguinte link: http://www.simpurb2013.com.br/wp-content/uploads/2013/11/1475_GT011.pdf

Boa leitura!

Finalmente o trem da CPTM vai chegar até Guarulhos

blog da Raquel Rolnik

No início desta semana o governo do Estado de São Paulo anunciou a expansão do trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) até a cidade de Guarulhos e o aeroporto de Cumbica, com a construção da linha 13-jade. Finalmente teremos um trem comum ligando a capital a Guarulhos, segunda cidade mais populosa do Estado, com cerca de 1,2 milhão de habitantes, beneficiando a população e também os trabalhadores e usuários do aeroporto. A nova linha sairá da estação Engenheiro Goulart, na linha 12-safira da CPTM, e contará com duas estações em Guarulhos, uma no aeroporto, outra na região do Cecap Zezinho Magalhães.

Anos atrás, o governo planejava construir um trem especial, chamado expresso aeroporto, que faria a ligação da capital paulista com o aeroporto de Cumbica, com um serviço especial, mais confortável, que custaria cerca de R$ 35,00 ao passageiro. Obviamente essa proposta não atenderia aos trabalhadores do aeroporto…

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Competitive BRICS cities

Arthur Boppré, 2012

Arthur Boppré, 2012

Recently, I have been contributing in writing a couple of articles for the BRICS Policy Center, which is a reserch center dedicated to the study of the BRICS countries (Brazil, Russia, India, China and South Africa) based in Rio de Janeiro-RJ. I write mostly about city competitivess and urban development in the so-called BRICS-cities.

BRICS cities have been considered key and essential nodes to the network of global cities. Besides that, they have been (and some will be) hosts of mega-sporting events, home of 43% of the world´s population and the main drivers of the global economic growth in the decades ahead. This group represents a shift in the global balance of power and command by holding leading positions at the intersection of the international trade and investment flows.

So what would be the position of the BRICS cities in the network of investments flows? How competitive are BRICS cities? And what are indicators for their competitive status?

The Policy Brief presents a policy-oriented discussion on BRICS cities competitiveness in the global network of investment flows through the lens of city-network analysis, extracting recommendations for public policies for the main BRICS-cities.

Please click on the following link to read it (in English): http://bricspolicycenter.org/homolog/uploads/trabalhos/6010/doc/747160134.pdf

Cidades-BRICS competitivas

Foto de Arthur Boppré, 2012

Foto de Arthur Boppré, 2012

(For English version, please read “Competitive BRICS-cities”)

Recentemente tenho contribuído com publicações para o BRICS Policy Center, o centro de estudos e pesquisas das potências emergentes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Rio de Janeiro-RJ, sobre a temática de desenvolvimento urbano e sustentabilidade das “cidades-BRICS”. Não cidades globais ou mega-cidades, mas, sim, cidades-BRICS!

Sedes   de   mega-eventos,   residência   de   43%   da   população mundial  e as        principais  impulsionadoras do crescimento econômico global nas próximas décadas, as cidades-BRICS são consideradas pontos fundamentais na rede global de cidades. Este grupo representa uma mudança na balança global de poder e  comando  ao manter posições de liderança no comércio internacional e nos fluxos de investimentos.

Em meio a recessão econômica internacional na qual vivemos, qual tem sido a performance dos gigantes BRICS nos fluxos de capital estrangeiro e qual a posição de suas cidades na rede de investimentos? Quão competitivas são as cidades-BRICS para seus investidores? E quais os indicadores para essa tal competitividade?

O Policy Brief  sistematiza e discute dados acerca dessa temática, extraindo recomendações para o desenho de políticas públicas para as principais cidades-BRICS.

Para acesssar o Policy Brief, é só clicar no link (versão original em inglês): http://bricspolicycenter.org/homolog/uploads/trabalhos/6010/doc/747160134.pdf

Cidades que coca-colam…

A nova geografia econômica das cidades

(For English version, please read “Coca-Cola Cities” ) 

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Não, este post não é uma propaganda da Coca-Cola!

Porém, aos amantes de cidades como eu, não poderia ter existido oportunidade tão criativa para se pensar em city-marketing, cidade-espetáculo, capital estrangeiro, rede de cidades, dentre outros temas recorrentes no mundo dos “pensadores urbanos”, ao se deparar com essas latinhas de Coca-Cola nas prateleiras dos supermercados. Essa propaganda, de certa forma, substancia a ideia que, atualmente, vendem-se cidades como se vende Coca-Cola (e vice-versa)!

Nas prateleiras dos supermercados, percebe-se um certo favoritismo em “comprar” certas cidades, lógica que, de fato, acompanha o padrão de alocação e concentração do capital estrangeiro em determinadas cidades – cidades globais, cidades atraentes, cidades competitivas.

A socióloga Saskia Sassen (@SaskiaSassen), na década de 90, em sua obra “A Cidade Global”, já pensara em como as chamadas cidades globais – Londres, Nova Iorque e Tóquio – impunham uma hierarquia funcional e uma centralidade na economia mundial, comandando as funções globais de comércio, investimentos e finanças. Tal tríade representava (e ainda representa!) cidades centrais de fluxos dinâmicos, formas atraentes e funções globais!

Vinte anos depois, o que se vê hoje é como o advento da globalização tem imposto uma nova geografia de centralidade econômica sobre as cidades, reconfigurando seus fluxos, funções e formas no complexo sistema hierárquico de cidades globais. Diante de uma economia globalizada, outras cidades passaram a compartilhar o espaço econômico internacional, especializando-se e oferecendo serviços sofisticados anteriormente encontrados apenas naquelas três cidades globais da década de 90.

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O que se observa hoje é como algumas cidades “emergentes”, como: Rio de Janeiro, São Paulo, Jacarta, Xangai, Pequim, Moscou, Buenos Aires, Mumbai, dentre outras, ganham espaço nesta complexa rede de cidades globais, significando tanto uma ameaça, quanto uma oportunidade às cidades do “mundo desenvolvido”, como defendido por alguns pensadores. Atuando como nós centrais na rede global de investimentos, essas cidades redirecionam os fluxos de investimentos, ao adquirirem novas funções econômicas especializadas e também resignificam antigas formas para atender à lógica do capital externo. Um exemplo claro do processo de globalização dos lugares e das formas urbanas é o processo de revitalização urbana em São Paulo e Rio de Janeiro. Dessa forma, Luz (SP) e Porto Maravilha (RJ) configuram-se como formas e espaços “antigos” que têm sido lentamente moldados pelo capital privado rumo a se tornarem paisagens urbanas modernas, repletas de novos significados e funções.

Também muito repercutido nas discussões acadêmicas contemporâneas tem sido o brilhante conceito de “vetores urbanos”, novamente cunhado por Sassen. Mais propriamente voltados ao cunho geopolítico, esses vetores urbanos reforçam a ideia de como as cidades têm se configurado como os verdadeiros loci da geopolítica internacional, definindo toda a dinâmica das relações geopolíticas entre países. Vê-se, claramente, como a agenda politica de determinadas cidades tem se envolvido com questões internacionais, como é o caso de São Paulo e Rio de Janeiro, além da capital Brasília. Outros vetores que têm predominado no cenário geopolítico e econômico global tem sido: Beijing – Hong Kong – Shanghai; Istambul – Ankara; Cairo – Beirute – Riad; Geneva – Viena – Nairóbi; Berlim – Frankfurt – Bruxelas; Washington- Nova Iorque – Chicago.

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Porém,  essa nova geografia econômica imposta sobre a rede de cidades também reforçou a importância e até mesmo uma mudança paradigmática do conceito de cidades “secundárias”. Uma corrente de pesquisadores aposta que cada vez menos as cidades gigantescas reinarão no cenário econômico internacional, dando lugar àquelas cidades – as cidades médias – que ocupam um patamar mais baixo que as ditas globais, abrigando populações entre 200 mil e 10 milhões de habitantes.

Segundo projeção do McKinsey (http://www.mckinsey.com/insights/urbanization/urban_world), 600 cidades liderarão 2/3 da economia mundial nos próximos anos, dentre as quais 440 estão situadas em países emergentes e 10, no Brasil, sendo essas: Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Curitiba e Porto Alegre. Contudo, segundo projeções da consultoria, as cidades médias dos países emergentes crescerão mais rapidamente no mundo, a uma taxa de 8% até 2025. Destaca-se Belo Horizonte, que conta com o quinto maior PIB do Brasil e 2,4 milhões de habitantes.

Dessa forma, o que continuaremos a presenciar num cenário próximo no território brasileiro (e em muitos países emergentes de proporções continentais) é uma crescente importância das cidades médias enquanto pontos nodais essenciais no fortalecimento das rede urbana, contribuindo para atração de fluxos de investimentos no país e para o desenvolvimento socioeconômico local e regional.

No entanto, à parte de toda a discussão conceitual sobre cidade global, média/ secundária, vetores urbanos ou sobre o que torna uma cidade competitiva e atraente para o consumo ou o capital externo é o fato que as projeções indicam que 60% das pessoas no mundo viverão em cidades até 2030. Fato que nos faz pensar em soluções estratégicas para os grandes desafios urbanos. Mais pessoas morando em cidades acarretam maior demanda por energia, água, habitação, mobilidade urbana, emprego, dentre outros.  E como financiar tudo isso? Como planejar e otimizar o espaço urbano? Que ações devem ser pensadas rumo a um crescimento sustentável e inteligente de nossas cidades?

Mais que cidades vendidas, precisamos de cidades habitáveis. Mais que desempenhos econômicos e rankings de competitividade estupendos, precisamos nos livrar do fardo social que assola muitas cidades e representa um entrave ao desenvolvimento socioeconômico. Mais que cidades-espetáculos e formas mercantilizadas e revitalizadas, precisamos ser os verdadeiros jogadores do progresso. E, claro, “quanto mais CIDADE, melhor”!

Obrigada pela leitura e bem-vindos a Colacidades!

Carolina

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Coca-Cola Cities

The new economic geography of cities

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No, this is not a Coca-Cola’s advertisement!

For city lovers though, this propaganda has brought up some thoughtful insights about city-marketing, city-spectacle, foreign capital, city networks, amongst other recurring themes in the ‘world of cities’. This advertisement somehow substantiates the idea of how cities are being sold just like Coca-Cola is (and vice versa)!

On the supermarket shelves, there’s a sort of favouritism “to buy” certain cities…I mean, Coca-Cola. One could see how this consumption pattern also follows the logic of allocation and concentration of foreign capital in certain cities, i.e., global cities, attractive cities, competitive cities!

Back in the 90’s, @SaskiaSassen, a renowned sociologist and researcher of the effects of globalization on cities, pointed out how the so-called global cities  – London, New York and Tokyo – imposed a functional hierarchy and centrality in the global economy by commanding global functions, attracting most of the investments and concentrating the global financial activities. The triad was for a long time (and still is) the basing point of dynamic flows, attractive ‘forms’ and global functions!

Twenty years later, what we see today is how the advent of globalization has imposed a new economic geography of centrality on cities, reconfiguring their flows, functions and forms in the complex hierarchical system of global cities. In a globalized world, other cities are sharing the same space of flows, offering specialized and sophisticated services previously found only in those three global cities of the 90s.

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What we see today is how the so-called “emerging” cities (Rio de Janeiro, Sao Paulo, Jakarta, Shanghai, Beijing, Moscow, Buenos Aires, Mumbai, amongst others) represent a shift in the global balance of power and command by holding leading positions at the intersection of the international trade and investment flows. Because of this, they are also seen as a threat (or opportunity) to the system of global cities in the developed world, as some experts say.

Acting as central nodes in the global network of investments, these cities are offering specialized economic functions at the same time they are re-shaping old ‘forms’ to meet the demands of the foreign capital. Clear examples of the process of globalization of places are the urban renewal and revitalization projects in Rio de Janeiro and Sao Paulo. Porto Maravilha (RJ) and Luz (SP) stand as ‘old’ places and spaces that have been slowly shaped by the private capital towards becoming modern urban landscapes, carrying new significances and functions.

Another approach on seeing this new economic geography on cities is through the lens of ‘urban vectors’ (also coined by Sassen) that have been very much discussed in contemporary academic circles. Connected through not onlyeconomic flows, but also geopolitical relations, these urban vectors are set to shape the global economy, which is no longer a result from state-to-state transactions, but rather about urban axes that bring together key cities, such as: Sao Paulo – Rio de Janeiro – Brasilia; Beijing – Hong Kong – Shanghai, Istanbul – Ankara, Cairo – Beirut – Riyadh, Geneva – Vienna – Nairobi, Berlin – Frankfurt – Brussels, Washington-New York – Chicago. These urban vectors substantiate the idea of ​​how cities are likely to become the true loci of international geopolitics, defining all the dynamics of geopolitical relationships between countries.

However, this new economic geography of cities also reinforced the importance and even a paradigm shift to ‘secondary’ cities. Some researchers believe that the world will see less mega cities commanding the global economy. It’s now time for mid-sized cities that host between 200,000 and 10 million inhabitants.

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According to McKinsey’s projections (http://www.mckinsey.com/insights/urbanization/urban_world), 600 cities will respond for 2/3 of the world economy in the upcoming years, whereas 440 are located in emerging countries and 10 in Brazil: Fortaleza, Recife, Salvador, Brasilia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Curitiba and Porto Alegre. However, mid-sized cities in emerging countries will grow faster in the world at a rate of 8% by 2025. Belo Horizonte, for instance, has the fifth largest GDP in Brazil and 2.4 million inhabitants.

Thus, we will continue to witness a growing importance of medium-sized cities as essential and key nodes in strengthening the urban network, contributing to attracting investment flows into the country and boosting local and regional socioeconomic development.

However, apart from all the conceptual discussion regarding global and mid-sized cities, urban vectors, and city competitiveness is the fact that 60% of people are forecast to live in cities by 2030. There’s need of strategic solutions for major urban challenges. More people living in cities means more demand for energy, water, housing, urban mobility, employment, etc. And how to finance all of this? How to plan and optimize the urban space? What actions should be taken towards achieving smart and sustainable growth in our cities?

More than cities being sold, we need liveable cities. More than stupendous economic performances and competitiveness rankings, we must overcome the social burden that plagues many developing cities and represent a drawback to socioeconomic development. More than spectacle-cities and marketable forms, we must be the true players of the socioeconomic progress. And of course, as Coca-Cola should sell: “Quanto mais cidade, melhor!

Thanks for reading and welcome to Colacidades!

Carolina

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